COELHO NÃO É PRESENTE DE PÁSCOA

Existem várias histórias sobre a associação da figura do coelho com a festa cristã que representa a Ressurreição de Jesus Cristo. A comemoração da Páscoa acontece sempre num domingo de Primavera ou de Outono, conforme o lado do Hemisfério, entre o final dos meses de março e abril.

Há quem acredite que por ser um animal de grande fertilidade, o coelho tem relação com fartura e renascimento, sentimentos associados à data. É destaque na Antiquidade a importância de Ostara, Deusa da Aurora ou Primavera, também conhecida como Eostre.  O nome ganhou algumas adaptações, talvez por coincidência ou não, Easter e Ostern, que significam Páscoa em inglês e alemão, respectivamente. Uma versão mais simples é de que uma senhora, por volta do Século XVIII, decidiu esconder ovos de galinha pintados em seu jardim para que as crianças encontrassem. Foi quando de uma moita recheada pulou um coelho e, assim, ele se tornou o entregador dos ovos de Páscoa.

Lendas, mitos e folclore à parte, nosso enfoque é a proteção animal. Muita gente aproveita a imagem fofinha do coelho para presentear na Páscoa. Não faça isso, não compre!

Coelhos não são bichos de estimação, apesar de serem considerados domesticados. O ambiente, de uma casa ou apartamento, está longe de ser o ideal. Coelhos não gostam de ficar presos em gaiolas, mesmo assim, quem tem não costuma deixar solto já que o estrago pode ser grande. Eles têm a necessidade de aparar as presas e, com isso, saem roendo móveis e tudo o que veem pela frente. Quer outra informação pouco divulgada? Um único coelho pode fazer até 300 bolinhas de cocô por dia, o que é natural da espécie pode ser um transtorno em condições domésticas.

Em época de Páscoa, a compra de coelhos dispara de forma preocupante. Muita gente ainda acredita que a entrega de ovos com a presença do animal fica mais atrativa, mas esquece do mal que está fazendo a esse ser vivo, com emoções e necessidades próprias. Começa aí, uma vida de privações e futuro incerto para o coelho que vai crescer muito e bem antes do que se imagina.

“É impossível prover o bem-estar aos coelhos no ambiente doméstico. Na natureza, são animais de hábitos noturnos e considerados presas, ou seja, além de serem obrigados a se adaptar à rotina diurna dos humanos, podem se sentir em constante ameaça diante da manipulação das pessoas e, muitas vezes, presença de cães e gatos”, alerta a Dra. Ingrid Eder, médica veterinária e assessora técnica no gabinete do vereador Tripoli.

Em poucos dias, a compra do Coelho da Páscoa tende a se transformar em arrependimento e sabe o que acontece? Abandono! Centenas de coelhos são abandonados à própria sorte em praças, parques, terrenos baldios, ONGs ou instituições de proteção animal. Além da crueldade, esses animais que geralmente são vendidos não castrados pelas lojas de pet, se reproduzem de forma desenfreada, gerando um sério impacto ambiental.

As ruas não precisam de mais animais abandonados e nem vítimas de maus-tratos. A dica é simples: quer trazer o coelho para o clima da comemoração? Escolha um de chocolate, pelúcia, faça o formato das patinhas usando talco ou farinha, deixe um pedaço de cenoura esquecido próximo aos ovos, enfim, use e abuse da criatividade.

O Coelho da Páscoa até existe, mas só é perfeito no imaginário infantil.